Segunda-feira, 5 de Novembro de 2012

Pérolas e diamantes (10): o júbilo, o frenesim, estórias e indignação


Começamos hoje como terminámos a semana passada, com júbilo e regozijo. Para os mais desatentos lembramos que, segundo o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), os concelhos que apresentaram maior número de desempregados em termos absolutos, são Vila Real e Chaves, 15% e 17% respetivamente. Isto no fim de Agosto, que é o mês do turismo. Ou seja, o desemprego cresceu em Chaves 2,46% em relação ao mês de Julho.

 

Finalmente lideramos o distrito. E estamos à frente de Vila Real. É caso para celebrarmos. E pensar que devemos isto essencialmente ao PSD nacional e, muito particularmente, ao PSD local e à sua gestão autárquica, é um fator de alento e de esperança no futuro.

 

E imaginarmos a redundante hipótese de o nosso futuro passar por uma Câmara presidida por António Cabeleira, então é caso para fazer rebater os sinos, especialmente os sinos das igrejas das freguesias extintas, cuja proposta de agregação, na visão progressista de António Cabeleira, João Batista, Nelson Montalvão e Manuela Tender, visa salvar freguesias. Salvam-se umas e morrem outras. É a lei natural dos políticos variáveis.

 

Estivesse a oposição no governo e estes senhores, e a senhora, claro está, faziam o que agora tão veementemente criticam nos outros. É por isso que a política é tão patusca. É por isso que os políticos cada vez têm mais apoio por parte dos portugueses. E, digo-vos de coração, todos eles merecem o nosso amparo.

 

Deixem que aqui faça um pequeno parêntesis. Eu sei que estão surpreendidos por tão grande lembrança, refiro-me, claro está, a Manuela Tender. Mas o que tem de ser tem muita força. Sim, a senhora ainda está no parlamento, pois eu vejo-a sempre sentadinha no seu lugar, educada e atenta, e nesse seu prestigiado estatuto, e estado de alma, tem desempenhado o seu papel com muito denodo e subido empenho.

 

Ainda não nos cansámos de observar a senhora deputada bater palmas e sorrir quando os seus correligionários de partido falam, ou os do governo discursam (bem, quando os do governo dão aquelas boas notícias que a todos nos enchem de esperança e júbilo, como o aumento estratosférico do IRS, bem, aí a senhora deputada sai da sua pacatez habitual e aplaude tanto, mas mesmo tanto, que até o senhor primeiro-ministro fica surpreendido por ter na sua bancada parlamentar deputada tão solidária), a senhora sorri com um sorriso verdadeiramente liberal. E extraordinariamente neo.

 

Mas também, mesmo que lhe custe, e nós sabemos que sim, quando os deputados da oposição tagarelam a dizer mal do seu partido, da sua coligação e, sobretudo, do seu querido e estimado primeiro-ministro e do seu governo, a senhora deputada (que não se cansa de citar e recitar e tornar a citar, o chefe do executivo como se Pedro Passos Coelho fosse um sábio da Pérsia), sabe manifestar o seu genuíno desagrado.

 

Só ainda não a vimos deitar faladura. Mas ainda não perdemos a esperança de a observar, lá no hemiciclo de São Bento, a discursar em favor dos transmontanos e, sobretudo, dos flavienses. Assim ali de pé como as árvores, a defender as nossas freguesias, a defender o nosso Tribunal, a defender o nosso hospital, a defender o nosso comércio tradicional, os nossos agricultores, o nosso direito a andar nas autoestradas que pagamos todos os meses através dos impostos, enfim, a defender o nosso direito a termos futuro.

 

Definitivamente, João Batista (Ó senhor presidente, os flavienses já estranham a sua prolongada ausência das cerimónias camarárias e afins, e por consequência das fotografias nos jornais. Apareça. Caro presidente, por favor, apareça mesmo que seja muito de vez em quando, pois sentimos a falta do seu sereno e simpático sorriso. Vá lá senhor presidente, não nos abandone antes mesmo de desocupar definitivamente o cargo para que foi eleito. Por favor! O povo que em si votou reclama-o. Por isso faça-lhes, faça-nos, a vontade. Por favor, por favor senhor presidente. Olhe que nós sentimos a sua falta.), António Cabeleira, Nelson Montalvão, Manuela Tender e todo o seu pequeno grupo de apoiantes acérrimos merecem bem o nosso aplauso. E, estamos em crer, o seu esforço será devidamente recompensado.

 

Mas o que desta vez nos abalança para a escrita são as atividades que semana a semana o município de Chaves, através do seu presidente em exercício e putativo candidato a presidente efetivo, protagoniza e que por isso vemos escarrapachadas nos jornais, quase sempre na capa e a cores, e que nos enchem de júbilo.

 

Uma das que nos chamou mais a atenção foi o “Primeiro Fórum Europeu de Cooperação Transfronteiriça de Segurança Rodoviária”, evento que encerrou a “Semana da Educação e Segurança Rodoviária na Eurocidade”. Veem, lá voltam eles com a brincadeira da Eurocidade. Estes autarcas de Chaves e de Verin são uns patuscos.

 

Reúnem-se à volta de uma mesa para lerem umas folhas escritas pelos assessores e saltam logo a dizer que aquela reunião é um Fórum. Seguidamente basta um dos presentes falar português e outro galego, para propalarem que é Transfronteiriço. Posteriormente chega apertarem as mãos uns aos outros e trocarem meia dúzia de abraços e palavras de circunstância para falarem imediatamente de cooperação. E depois enchem a boca com a Segurança Rodoviária por acarrearem meia dúzia de guardas-civis e colocarem duas dezenas de crianças a guiarem uns carrinhos de feira num campo alcatroado em Verin e dizerem que foi um sucesso de adesão e participação.

 

Para que esta história fique para a História como uma estória com muita imaginação e com os figurantes devidamente identificados, podemos dizer que os convidados de honra foram Roberto de Castro, subdelegado do Governo em Orense (Olhem, nós até conhecíamos vários tachos, panelas, designações, prebendas, títulos e demais caganças nominativas, mas esta de subdelegado do Governo em Orense é de se lhe tirar o chapéu. Mas Orense é algum principado? Algum enclave territorial para merecer a presença de um delegado e de um subdelegado do governo numa cidade tão pouco relevante numa relação entre Estados?), José Hermida, tenente-coronel chefe do setor de tráfico da Galiza, David Llorente, chefe provincial de Tráfico, Juan Manuel Jimenez Morán, alcaide de Verin (outro patusco da dimensão de António Cabeleira) e o próprio presidente em exercício do município flaviense, o nosso querido e estimado arquiteto paisagista.

 

E enquanto dentro de portas, os adultos brincavam com palavras tão bonitas como “coordenação dos serviços de vigilância” e “acordo de Schengen”, além dos lugares comuns useiros e vezeiros nestas ocasiões, cá fora as crianças brincavam com os carrinhos a pedal e subiam para um helicóptero e para um camião dos bombeiros como se fossem diversões da Feira dos Santos.

 

E riam-se muito. Tanto as crianças, como os adultos.

 

António Cabeleira, na cerimónia inaugural, meio tapado pelo seu computador portátil, chegou mesmo a esboçar um sorriso quase natural. Vê-se que tem treinado com os seus assessores de imagem. É que a campanha está aí à porta, e os seus presumíveis adversários nisso ganham-lhe sem nenhum esforço e até lhe dão uma capilota. Por isso, o putativo candidato do PSD ainda tem muito que aprender. Mas se adotar a pose sorridente de João Batista, já não vai nada mal acompanhado para a contenda.

 

PS – Sobre a extinção das freguesias no nosso concelho, o PSD sentiu-se tão incomodado com a atitude de indignação e contestação por parte do PS, que o seu líder concelhio, novamente António Cabeleira (quem diria, o homem está em todas, cada cavadela sua minhoca), ele e o seu reduzido núcleo de persistentes apoiantes, acusou os subversivos e temíveis socialistas flavienses de, e passamos a citar, “discutir a bondade ou não da lei, mas nunca as propostas concretas” (como se elas fossem discutíveis), “nem apresentar qualquer alternativa. Bem pelo contrário, numa atitude que não tem qualificação, apelou, com a distribuição de um panfleto, à revolta das populações”.

 

Por muito que nos custe a admitir, o senhor presidente do PSD flaviense, e presidente em exercício da Câmara de Chaves, tem razão. Esses agitadores do PS são uns bardinos, pois mostram-se dispostos a contestar e a lutar. Onde já se viu tamanha desfaçatez. Apelar à revolta das populações é um crime de lesa pátria. É uma atitude indigna de um partido democrático. Eles deviam era seguir o PSD e aceitar a extinção das freguesias de bico calado. Deviam era votar na proposta do PSD, aplaudi-la de pé e ir para casa calçar as pantufas e ouvir os discursos de Vistor Gaspar para se convencerem da infalível verdade dos seus números que ainda nem uma única vez bateram certo nem com a realidade nem com as suas próprias previsões.

 

E, bem vistas e analisadas as coisas, as freguesias afinal servem para quê? Apenas prestam serviço às poucas pessoas que habitam nas aldeias. O melhor será extingui-las a todas. Acabava-se com o mal pela raiz. Basta a troika exigir isso a Pedro Passos Coelho que ele assina logo por baixo de cruz. E nem pestaneja. E os nossos autarcas do PSD batem logo palmas de pé. Pois que lhes faça bom proveito a destruição do nosso mundo rural. Um dia a história os julgará.

 

Assim como os julgará pela que estão a fazer, ou a deixar fazer, ao Tribunal de Chaves e ao Hospital. Mas em verdade, em verdade vos digo, e lhes digo, quem semeia ventos colhe tempestades. 


publicado por João Madureira às 07:45
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