Segunda-feira, 8 de Julho de 2013

Pérolas e diamantes (46): e vão duas indemnizações


Todos nós sabemos que as palavras não bastam para se modificar a realidade. Mas também sabemos que não podemos desistir delas. Se por vezes o silêncio é inestimável, especialmente no espaço público, desistir das palavras é desistir da verdade, do combate e da tentativa de modificarmos a sociedade.

 

Por isso não podemos desistir da esperança e, sobretudo, das palavras certas, pois são elas quem a sustenta. Não desistir das palavras, das palavras certas, é a forma de criar transparência e objetividade entre quem as emite e quem as escuta, ou as lê.

 

O que por aí há mais é quem utilize as palavras com a nítida intenção de mascarar a realidade.

É isso que fazem atualmente os partidos do arco do poder. Criam opacidade com as palavras que emitem, escondem-se atrás delas, maltratam-nas, mascaram-nas, pretendendo com isso mascarar a realidade. Mas as pessoas já se aperceberam do embuste.

 

Durante os últimos doze anos, pelo menos, o poder autárquico em Chaves teimou em destruir a nossa cidade, nomeadamente os seus ícones, o seu coração e a sua memória. Basta lembrar o caso paradigmático da destruição do Jardim das Freiras para nos apercebermos da inconsciência governativa e da falta de memória de quem praticou ato tão vil.

 

Por isso é que é cada vez mais difícil criar uma ligação entre o eleitorado e os eleitos. Mas é também por isso que os movimentos independentes estão a triunfar pelo país e por esse mundo fora. Os movimentos independentes não negoceiam princípios, não cedem na sua argumentação. Arriscam a verdade.

 

Isso tem tudo a ver com a sua identidade. Os movimentos independentes não se sujeitam aos diretórios e aos aparelhos partidários, nem aos interesses instalados. Não se desintegram. De facto, há uma verdade que começa a impor-se nos movimentos políticos e sociais: o povo unido não precisa de partido.

 

Veem como as palavras começam a ter sentido!

 

Agora falam-nos na crise como pretexto para nos silenciar. Mas a todos eles respondemos que a coragem do nosso povo não está em crise. Nós não desesperamos.

 

Para ajuizarmos dos dislates que a nossa autarquia tem vindo a praticar, vamos às palavras, que são outros tantos factos indesmentíveis.

 

No ponto 3 do programa político do PSD local, intitulado “Todos por Chaves”, afirma-se textualmente: “Vamos iniciar um novo ciclo. Hoje, mais do que nunca, se exigem políticas de verdade e de racionalidade. Sabemos que não somos donos da verdade. Todavia, fazemos da verdade uma prática constante.”

 

Com a devida licença dos estimados leitores, vamos lá então à “verdade” e à “racionalidade” do PSD local dos arquitetos António Cabeleira e Carlos Penas. 

 

A seguir à escandalosa entrega do edifício restaurado do antigo Magistério Primário à rapaziada da JSD local, cujas obras ficaram num milhão de euros; a seguir ao escandaloso aluguer à empresa Jogos e Disfarces, por 150 €, das antigas instalações do Cineteatro de Chaves; a seguir à indemnização à GIPP relativa ao “projeto de execução das piscinas municipais cobertas de Chaves”, no valor de 62.181,25 €; a autarquia flaviense resolveu cometer novo atentado à racionalidade e desbaratar mais dinheiro público.

 

Em ata do dia 18 de fevereiro de 2013, relativa à “reabilitação do edifício adjacente à Igreja da Madalena para instalação da Pousada da Juventude, ficámos a saber que a vereação camarária aprovou a “rescisão do contrato de financiamento com a Empresa Santana Construções, SA. no valor de 20.257,28 €”.

 

Ou seja, a Câmara de Chaves resolveu mais uma vez retirar dos bolsos dos contribuintes vinte mil duzentos e cinquenta e sete euros e vinte e oito cêntimos, para pagar uma indemnização por não conseguir levar a efeito uma obra prometida e já adjudicada. 

 

Esta é a sua “política de verdade” e a sua “racionalidade”. Esta é a prova provada de quem utiliza as palavras com a nítida intenção de mascarar a realidade.

 

Contas feitas, só nestas duas indemnizações, e a troco de nada e de coisa nenhuma, os flavienses já pagaram, ou vão ter de pagar, a módica quantia de 80.437.53€.

 

Mas a verdade não fica por aqui, pois a histórias dos atropelos e das irracionalidades da nossa autarquia é interminável. 


publicado por João Madureira às 07:45
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