Segunda-feira, 14 de Outubro de 2013

Pérolas e diamantes (59): Pirro e os pirristas


Depois da excelente notícia relativa à estrondosa vitória eleitoral autárquica do PSD de Chaves e, porque não dizê-lo com toda a frontalidade, desse mestre da estratégia política que dá pelo nome de António Cabeleira, outra me encheu de orgulho e de boa disposição.

 

Mas antes de lá ir deixem que relembre ainda aos amigos leitores o acerto das previsões do presidente do PSD flaviense. Afinal conseguiu mesmo eleger cinco vereadores e, melhor do que isso, fez com que o MAI e João Neves se ficassem pelos 499 votos, como tinha prognosticado com todo a sua sapiência.

 

Além de visionário, António Cabeleira possui mesmo a faculdade de adivinho. Temos de convir que o senhor arquiteto não leu “A Zaragata” e o “Adivinho” de Astérix em vão. Finalmente a sua guerra psicológica, à maneira dos romanos (leia-se PSD), para vencer a aldeia dos gauleses (leia-se oposição do MAI), e os seus dotes adivinhatórios, deram mesmo resultado.

 

Noutro registo, mas dentro da mesma temática, Ágata, a cantora, antes mesmo da sua apresentação, pela primeira vez, no Coliseu do Porto, deu uma entrevista ao JN onde, entre outras informações valiosas, nos surpreendeu com algo que já suspeitávamos, mas que não tínhamos a coragem suficiente para explicar.

 

Passamos a citar: “Fiquei a saber que, noutras encarnações, fui princesa egípcia e cantora de ópera.” Só não conseguimos apurar se as encarnações da senhora estão num processo evolutivo ou involutivo. Mas isso fica para a análise de quem seja mestre no ofício.

 

Alguém nosso amigo, e muito dado a estas coisas dos espíritos e da migração das almas, sobretudo das penadas, avisou-nos que António Cabeleira, noutras encarnações, primeiro foi soldado romano, depois objetor de consciência, chegando mesmo a encarnar, num processo, à altura, claramente evolutivo, como Pirro.

 

Como todos sabemos, o nome desse rei guerreiro tornou-se famoso pela expressão "Vitória Pírrica”, no momento do triunfo na Batalha de Ásculo. Quando lhe deram os parabéns pela vitória conseguida a custo, diz-se que respondeu com estas palavras: "Mais uma vitória como esta e estou perdido." Afinal a história repetiu-se. Desta vez juntou-se o mito da encarnação com o do eterno retorno. É o buraco do tempo em todo o seu esplendor.

 

Por falar em almas penadas, em migração e em encarnação, temos de convir que a oposição por parte do PS foi também uma tremenda desilusão. O seu imobilismo foi perigoso numa cidade que necessita de ser liderada e reformada por quem a ame de verdade.

 

Poderão argumentar que nada disso interessa à democracia. Mas, meus senhores e minhas senhoras, a sociedade portuguesa, e a nossa cidade nisso não é exceção, aprendeu a esperar que a esquerda fosse o motor da mudança, que fosse a alternativa ao imobilismo, ao compadrio e à corrupção, sobretudo quando comparada com os partidos de base conservadora. Mas parece que o motor gripou. Ou por desleixo, ou mesmo por premeditada desatenção.

 

No entanto, há sinais de mudança. Senão vejamos. A nível nacional, o PSD e o CDS juntos, relativamente às últimas eleições autárquicas, perderam 644 mil votos, cerca de 30%. Mas se a comparação for feita com as legislativas de há dois anos, verificamos que o cenário é ainda mais negativo, pois tiveram uma variação de 40%, o que corresponde a uma perda de 1 milhão e 146 mil votos.

 

Relativamente ao PS, apesar de os resultados serem simpáticos, fruto sobretudo da conjuntura política nacional, que é um calvário para o PSD e o CDS, eles são ambíguos. De facto, conquistou 243 mil votos relativamente às últimas legislativas, mas, contudo, perdeu 274 mil votos relativamente às autárquicas de 2009.

 

Talvez esta seja também uma vitória de Pirro para o PS, pois, como muito bem lembrou Pedro Adão e Silva, “à primeira oportunidade. Os fatores que devastaram o PSD e o CDS ressurgirão para fazer o mesmo ao PS.” E, para agudizar ainda mais a previsão, lembra que “para piorar as coisas, imaginem só como todo este contexto se agudizará quando o PS não tiver alternativa (porque não terá mesmo) a comprometer-se com um novo resgate ou, se preferirem eufemismos, com um programa cautelar. Estaremos cá todos para ver a onda de mudança. Não vai ser bonito.”

 

Sim cá estaremos todos de olhos arregalados para ver a nova realidade.

 

Os números indicam que o eleitorado português está com vontade de romper com este ping-pong alternativo entre o PSD e o PS, que tem caraterizado, mais para o mal do que para o bem, a democracia portuguesa. O declínio do bipartidismo é já uma realidade clara.

 

Ao longo da campanha eleitoral foi sobretudo evidente o crescimento significativo dos candidatos independentes. Dissidentes ou não dos partidos (e quem não foi militante ou simpatizante de um partido que atire a primeira pedra), pouco importa, serviram de ninho para muito do descontentamento face, principalmente, aos aparelhos partidários.

 

Os independentes, nestas eleições, conquistaram conjuntamente 344 mil votos. Mais 120 mil do que há quatro anos atrás. E os votos brancos e nulos subiram de 3% para 7%. O que significa que estamos perante um indicador de descontentamento perfeitamente lúcido e disposto a manifestar-se.

 

O fenómeno crescente da corrupção, da austeridade e da desorganização social, explica em grande parte a atual crise. Se a isto juntarmos o aparelhismo que tomou conta dos partidos, o terreno está fecundo para o surgimento de algo novo. Se será bom ou mau, logo se verá. Mas uma coisa é certa, e por isso não me canso de a repetir: quando toda a coragem é necessária, toda a esperança é legítima. 


publicado por João Madureira às 07:45
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