Segunda-feira, 21 de Outubro de 2013

Pérolas e diamantes (60): uma lufada de ar fresco


Foi o histórico dirigente socialista Manuel Alegre, um dos membros fundadores do nosso Estado democrático, que pôs o dedo na ferida ao criticar os partidos políticos por sozinhos quererem ser donos e senhores da democracia.

 

Convém lembrar que já há alguns anos a esta parte Manuel Alegre vem defendendo o reforço dos Movimentos Independentes pois tem a convicção de que os partidos são indispensáveis à democracia, mas não a esgotam. Nem pouco mais ou menos.

 

O aumento significativo da votação nos Movimentos Independentes e a vitória de muitas das suas candidaturas por esse país fora são o triunfo e a consolidação da cidadania. Está na hora dos portugueses pensarem seriamente se o atual modelo de representação os satisfaz.

 

Os Movimentos Independentes vieram provar que não há desamor à política. O desamor que existe é à forma como a política está a ser feita e gerida.

 

Por isso faz todo o sentido, como muito bem propôs Pacheco Pereira na “Quadratura do Círculo”, debater e decidir afirmativamente a candidatura de listas Independentes à Assembleia da República.

 

Os resultados obtidos pelas listas protagonizadas pelos Movimentos Independentes evidenciam que já ninguém pode ignorar um fenómeno que conquistou 13 câmaras municipais e 7% dos votos dos portugueses.

 

 Os candidatos Independentes, quer sejam provenientes de dissidências partidárias, quer sejam pessoas que sempre fizeram um percurso fora dos partidos, não deixam de ser a prova provada de que este sistema político, que apenas está montado tendo como base exclusiva os partidos políticos tradicionais, está a desmoronar-se a cada dia que passa, especialmente porque assenta em estruturas arcaicas, anquilosadas e incompetentes para efetivamente representarem a sociedade portuguesa.

 

Os portugueses já estão fartos de assistir às danças e contradanças das jotas laranjas ou rosas, às ditas universidades de verão, ao clientelismo e ao carreirismo, que são os sustentáculos da militância que se inicia na juventude e que faz com que um qualquer desconhecido passe a assessor de presidente de câmara ou a adjunto de um secretário de Estado ou de um ministro.

 

Depois basta esperar sentado nos gabinetes do poder até ver chegar o momento de passar de assessor diretamente a deputado, ministro ou, quando não, acabar mesmo por ser designado para ficar à frente de uma qualquer instituição pública sem utilidade visível ou até a dirigir os destinos de uma qualquer fundação privada mas, como todos sabemos, sempre dependente do Orçamento de Estado.

 

Esta sórdida realidade, sem bases sólidas de competência técnica e ausente de uma base ideológica prudente e culta, que os portugueses rejeitam cada vez mais, está a fazer com que os mais indignados identifiquem os políticos quase como um bando de mafiosos.

 

A primeira grande indicação de indignação social contra este regime partidocrático aconteceu aquando da grande mobilização social feita a partir de uma base independente tendo como objetivo lutar contra a TSU. Daí resultou uma gigantesca manifestação que obrigou o governo a ceder.

 

A segunda indicação da necessidade dos Movimentos Independentes na vida política portuguesa aconteceu precisamente nas eleições autárquicas.

 

Estamos em crer que, se os partidos políticos tradicionais e as suas clientelas procurarem travar este novo tipo de intervenção social pensando que dessa forma acautelam os seus mesquinhos interesses, correm o sério risco de criar um bloqueio social que pura e simplesmente os ignorará, deixando então de participar nas eleições e, um dia mais tarde, quem sabe, tenderá a modificar as coisas através de um movimento devastador que levará tudo pela frente.

 

A nosso ver, a solução é simples. Basta estudar-se uma forma de legitimar o fenómeno dos Movimentos Independentes de forma a possibilitar-lhes representação parlamentar.

 

Está na hora de os partidos políticos se regenerarem e absterem-se de controlar a sociedade e o Estado através dos seus grupos aparelhistas.

 

Esta significativa porção de gente empenhada civicamente na vida política e social do seu país merece ver o seu entusiasmo, a sua dedicação e a sua independência reconhecida e recompensada.

 

A democracia portuguesa necessita de se regenerar fora do ambiente poluído dos partidos. Os Movimentos Independentes são a necessária lufada de ar fresco. Deixem-nos respirar.

 

Por favor. Deixem-nos respirar.


publicado por João Madureira às 07:45
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