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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

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23
Abr20

Poema Infinito (505): Poesia do Big Bang (Primeira)

João Madureira

 

 

Depois de os judeus chegarem a Jerusalém, a história deixou de ser contínua. Primeiro criou-se o mundo. Depois Deus pôs cá, nesta sua criação anacrónica, que então era um paraíso, Adão e Eva. Noé sobreviveu ao Dilúvio. E a humanidade teve a sua génese na Torre de Babel. E Moisés teve uma vida cheia de trabalhos. E canseiras. Sempre de um lado para o outro, aos mandiletes de Deus. Até que por fim lá conquistou a Terra Prometida. Esdras, Neemias, e até Ester, apesar de relatarem acontecimentos sob o domínio persa, acabam por perder, e nos fazer perder, o sentido de uma história que até podia ser coerente. Quase toda a narrativa hebraica é escrita num estilo simples e lacónico. Nela não existe emoção e as personagens não possuem aspeto. As deduções são por isso superficiais. Ninguém naquela altura sabia lá muito bem de quem era a terra. Faziam-se muitas alianças para conquistá-la. E as mulheres eram muito cobiçadas, sobretudo as filhas dos patriarcas e dos chefes tribais locais. E alguns senhores casavam-se em virtude de terem circuncidado cem filisteus. Frequentemente, os homens eram apanhados por acontecimentos que não conseguiam controlar. E as suas vidas e os seus amores eram destruídos nos momentos em que não tinham qualquer poder para mudar as coisas. Paltiel ficou inconsolável. Já David exerceu a sua crueldade a eito, provavelmente por causa de Mical. O papiro e os blocos de argila foi onde os escribas de Deus começaram a escrever as narrativas da sua evidência. O estilo da saga foi descoberto pelos israelitas e por si desenvolvido de forma sofisticada e lacónica. Nesses tempos bíblicos, os reis compravam montes na Samaria por dois talentos de prata. E neles construíam cidades. Alguns faziam o mal mesmo em frente dos olhos do Senhor. E ele não se importava. Só ficava verdadeiramente irado quando o seu putativo povo adorava os ídolos vãos, que não eram nem bons nem maus. Eram como restos de histórias que ou não têm princípio ou não possuem fim. Os assírios chamavam a Israel a casa de Omeri, porque o consideravam um rei importante, talvez por causa dos seus crimes e do seu mau génio. E dos seus atos e dos seus feitos. Israel começou por ser uma terra de ímpios. Mesmo no tempo de Jerobão e do mesmíssimo Salomão. Depois aboliram-se os santuários locais onde os ídolos podiam ser adorados e centralizaram os cultos de devoção num único lugar: Jerusalém. Por isso derrubaram os altares, quebraram os monumentos, queimaram os bosques sagrados e abateram as imagens dos seus deuses, fazendo desaparecer da terra a sua lembrança. O Senhor guiou muitas vezes Moisés fazendo com que o tabernáculo se movesse seguindo uma nuvem de fogo, que ora o mandava parar ou então seguir viagem. A vida era sobretudo dedicada à pureza, à adoração e à liturgia. Devemos recordar que Deus, quando criou os céus e a terra se movia em espírito sob a superfície das águas. Depois mandou fazer a luz e, vendo que ela era boa, separou-a das trevas. Isto logo no primeiro dia. Depois fartou-se de dizer coisas e de dar ordens aos engenheiros celestiais. Criando tudo o resto nos cinco dias seguintes. Depois da obra concluída, repousou ao sétimo dia. E gostou tanto do que fez que relaxou de toda a obra da criação. Depois dessa tarefa, e do intenso trabalho, pôs-se a olhar para o seu feito. Até hoje não mexeu mais uma palha.

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